Arthur Walkington Pink nasceu em Nottingham, Inglaterra em 01 de abril de 1886. Seus pais eram cristãos piedosos e ele tinha um irmão e duas irmãs. Aos 16 anos A. W. Pink encerrou os seus estudos e entrou para o ramo de negócios. Rapidamente obteve sucesso no que havia determinado fazer, mas para a tristeza dos seus pais, ele abriu mão do Evangelho. Foi nesta época que ele se tornou um discípulo da Teosofia e do Espiritismo.
Em 1908 ele já era
conhecido como um teosofista e um espírita praticante. Neste mesmo ano, com 22
anos, ao chegar à casa após uma reunião teosófica, seu pai dirigiu-se a ele e
citou este versículo da Bíblia:
"Há caminho que ao homem parece direito, mas o fim dele são os caminhos
da morte" (Provérbios 14:12)
Pink foi para o seu
quarto e ficou pensando nas palavras que seu pai lhe dissera. Em seguida
resolveu orar e pedir uma orientação a Deus. Foi o suficiente para enxergar o
seu erro. Esta experiência foi tão marcante que A.W. Pink encontrou o que tanto
desejava: Jesus Cristo, Aquele que Lhe daria a Água Viva para saciar a sua
sede, assim como prometera à mulher samaritana (João 4:14).
Cristo tornara-se real
para ele! O mais interessante é que, na 6ª feira daquela mesma semana, Pink
faria uma palestra para os adeptos da Teosofia (que ainda não sabiam de sua
conversão). No dia e hora marcados, Pink dirigiu-se ao salão de Convenções da
Teosofia. Quando subiu para falar, pregou o Evangelho em demonstração de Poder.
A reação da multidão foi imediata: retiram-lhe à força e lançaram-no à rua. Um
episódio que serviu para abrir os olhos dele para o caminho que o esperava!
Assim, Arthur Pink não
tinha mais dúvidas sobre o seu chamado. Mas em qual Igreja? Havia tanto
liberalismo nos ministérios. Então, ele foi recebido na Igreja dos Irmãos, onde
ensinavam a Bíblia com muito amor. Depois, recomendaram que ele fosse estudar
no Instituto Dwight L. Moody, em Chicago, Estados Unidos. Então, em 1910, ele
foi para Chicago estudar. Todavia, dois meses depois, abandou o Instituto, por
discordar do que ali era ensinado. No mesmo ano, aceitou o chamado para
trabalhar como pregador num campo de minas em Silverton (Colorado, USA). Chegou
a pregar mais de 300 vezes ao ano. Nos anos que se seguiram esteve pastoreando
Igrejas no Colorado e na Califórnia. Em 1916, casou-se em Kentucky, com uma
mulher chamada Vera E. Russell (08 de janeiro de 1893 - 17 de julho 1962).
Em 1917 pastoreou uma Igreja Batista na Carolina do Sul.
Foi nesta época que ele
começou a ter problemas com o seu ensino. Começou a ler os puritanos e
descobriu verdades que o perturbaram. Principalmente sobre a grande doutrina
bíblica da Soberania de Deus, porém a medida que ele começou a pregar sobre
isto, descobriu que não eram coisas populares.
Em 1920, ele saiu da
Igreja Batista na Carolina do Sul e começou um ministério itinerante em todos
os EUA, para anunciar à Igreja esta visão da Soberania de Deus. Suas pregações
eram firmes e bíblicas, mas, não eram populares, seus ouvintes não gostavam do
que ele pregava.
Em 1922, começou uma
revista chamada Studies in the Scriptures (Estudo nas Escrituras), para
alcançar os mais variados tipos de pessoas, dando-lhes uma compreensão mais
clara da Palavra de Deus. Mas poucas pessoas se interessaram pela leitura da
Revista. Ele publicou 1000 revistas e, muitas delas, não foram sequer vendidas.
Ainda neste ano, fizeram-lhe um convite para visitar a Austrália. Ele viu neste
convite uma grande oportunidade de pregar o Evangelho e terminou por
estabelecer-se na cidade de Sidney, à convite das Igrejas Batistas locais.
Porém não obteve sucesso em seu ministério como pregador.
Depois de 8 anos
vivendo na Austrália, em 1928, Pink retornou à Inglaterra. Onde aconteceu uma
surpreendente obra da Providência divina durante 8 anos ele procurou um lugar
para pregar a Palavra e ajudar as pessoas, mas não conseguiu encontrar. Ninguém
estava interessado em ouvir suas pregações. A sua fé foi duramente provada
durante este período e, apesar de toda a luta, ele continuava a editar a
revista “Estudo nas Escrituras”, embora somente uns poucos a liam.
Ele era um leitor
incansável, em 1932 já havia lido toda a Bíblia mais de 50 vezes e milhares de
livros teológicos, especialmente de autores reformados e puritanos.
Em 1936, ele entendeu
que Deus, de alguma forma, havia fechado as portas da pregação para ele. Então
ele entregou-se totalmente a escrever e expor as Escrituras Sagradas. Este era
o seu chamado. A herança na qual Cristo falaria com ele através de gerações e
ensinaria Seu povo em tempos de apostasia por meio dos seus escritos.
Quando começou a 2ª
Guerra Mundial, A. W. Pink vivia no sul da Inglaterra, região que sofreu fortes
ataques aéreos. Então, em 1940, ele e a sua esposa, Vera, mudaram-se para o
norte da Escócia, em uma pequenina ilha chamada Lewis. 12 anos depois, em 15 de
Julho de 1952, AW Pink faleceu vítima de anemia.
Ian Murray, seu
biógrafo, relata que, além de sua esposa, apenas oito pessoas apareceram
em seu enterro.
Com certeza, A. W. Pink
(como assinava em suas cartas e artigos) nunca imaginaria que, no final do
século 20 e ao longo do século 21, dificilmente seria necessário explicar quem
é Pink quando nos dirigindo às pessoas que consideram a Bíblia como Palavra de
Deus e se empenham em compreendê-la, entre outras coisas, utilizando bons
livros. Vivendo quase em completo anonimato, salvo por aqueles poucos que
assinavam sua revista publicada mensalmente, o valor de Arthur Pink foi
descoberto pelo mundo apenas após sua morte, quando seus artigos passaram a ser
reunidos e publicados na forma de livros.
Após a morte de Pink, suas obras
foram republicadas por uma série de editoras, entre elas, Banner of Truth Trust, Baker Book House , Christian Publications Foco , Moody
Press, A Verdade para Hoje , e atingiu um público muito
mais amplo, como resultado sua escrita provocou um renascimento da pregação expositiva e focada corações dos leitores sobre a vida
bíblica.
Ian Murray afirma que,
mediante “a ampla circulação de seus
escritos após a sua morte, ele se tornou um dos autores evangélicos mais
influentes na segunda metade do século 20”.
Foi D. Martyn
Lloyd-Jones quem disse: "Não
desperdice o seu tempo lendo Barth e Brunner. Você não receberá nada deles que
o ajude na pregação. Leia Pink!".
Richard Belcher tem
escrito alguns livros sobre a vida e obra do nosso autor, disse o seguinte:
"Nós não o idolatramos. Mas o reconhecemos
como um homem de Deus ímpar, que pode nos ensinar por meio da sua caneta. Ele
verdadeiramente 'nasceu para escrever’, e todas as circunstâncias de sua vida,
mesmo as negativas que ele não entendeu, levaram-no ao cumprimento desse
propósito ordenado por Deus".
John Thornbury, autor
de vários livros, inclusive uma excelente biografia sobre David Brainerd, disse
o seguinte:
"Sua influência abrange o mundo todo e hoje
um exército poderoso de pregadores de várias denominações está usando seus materiais
e pregando à congregações, grandes e pequenas, as verdades que ele extraiu da
Palavra de Deus. Eu o honro por sua coragem, discernimento, perspicuidade,
equilíbrio, e acima de tudo por seu amor apaixonado pelo Deus trino".
No Wikipédia, um site
de pesquisa, lemos a seguinte afirmação sobre Arthur Pink: “foi um inglês, cristão evangelista e estudioso da Bíblia que
era conhecido por seus ensinamentos firmemente calvinista e
puritano em uma era dominada pela
oposição às tradições teológicas”.
Felipe Sabino de Araújo Neto em sua página na
internet Monergismo.com faz as seguintes declarações a respeito de A.W. Pink:
“Pink é o
que todo bom leitor de teologia procura: erudição misturada com piedade. Os
seus comentários são inspiradores, não somente demonstrando a reverência do
autor para com Deus e a Escritura, mas também incitando o leitor ao mesmo. A
sua maneira cativante de descrever as verdades divinas, a sua capacidade
extraordinária de expor as mais difíceis passagens, e o seu rico e belo
linguajar dificilmente encontram paralelo em toda a história do Cristianismo.
Apesar de
Charles H. Spurgeon ser muito mais conhecido e lido do que Pink —
principalmente aqui no Brasil —, é impossível que um apreciador de Spurgeon não
fique encantado com Pink: não somente a teologia deles é a mesma (batistas
calvinistas!), mas o próprio estilo é muito parecido. Além do mais, os livros
de Pink são recheados com diversas citações do grande Príncipe dos Pregadores.
Um outro
fator impressionante em Pink é a sua humildade e o seu compromisso inegociável
com a verdade. Assim como Agostinho, ele veio a rejeitar várias das suas
doutrinas e crenças anteriores, após um estudo mais cuidadoso do tema à luz das
Escrituras. Entre as crenças abandonadas por Pink podemos citar o pré-milenismo
e o dispensacionalismo... Numa carta ele chega a dizer que não recomendaria o
seu livro “The Antichrist” [O
Anticristo] para ninguém; além disso, ele escreveu mais tarde um livro
combatendo o dispensacionalismo (A
Study of Dispensationalism), o qual, como já dito, foi anteriormente
defendido por ele. Com certeza não teríamos tantas heresias em nosso meio se os
pastores, líderes e membros em geral das igrejas tivessem a humildade de Pink
para reconhecerem os seus erros.
Falecido
em 15 de Julho de 1952, Pink ainda nos fala hoje, tanto através do seu caráter
e postura, como ainda mais através dos seus preciosos escritos. É a nossa
sincera oração que os seus escritos sejam traduzidos e amplamente divulgados no
Brasil, para a glória de Deus e o crescimento espiritual do seu povo.”
As últimas palavras de
Pink antes de morrer, ao lado de sua esposa, foram: "As Escrituras
explicam a si mesmas". Que declaração final apropriada para um homem que
dedicou sua vida ao entendimento e explicação da Palavra de Deus!
______________________
Esta biografia é baseada nas seguintes fontes:
DIDINI,
Ronaldo. Um gigante esquecido da fé
cristã: Uma biografia resumida de A. W. Pink. Disponível em: https://www.ministeriocaminhar.com.br/?ver=74.
SABINO,
Felipe A. N. Arthur W. Pink: Nascido
para escrever. Disponível em: www.monergismo.com/textos/biografias/pink_nascido_escrever.htm.
Arthur Pink. Disponível em: https://www.facebook.com/ArthurWalkingtonPink/app_205521576149308?ref=ts.
Arthur Pink. Disponível em: http://en.wikipedia.org/wiki/Arthur_Pink.

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